A responsabilidade de ser adulto

De um post interessante:

Por outro lado, existe um outro tipo de gente, que por mais que eu tente pensar agora numa maneira bonita de falar, se resume em: gente sem noção. São as pessoas que por não ter responsabilidade por si, ou por algum motivo outro qualquer que não sei explicar, conseguem ter uma grande liberdade de ação, correm riscos e muitas vezes, quando se dão mal, tem o suporte de alguém responsável pra agüentar o tranco. E pior que, na maioria das vezes, sempre ganham ajuda.

Conheço gente assim. Eu mesmo já precisei aguentar o tranco de outros. O pior é que na verdade não se está ajudando, mas sim fortalecendo a crença de que sempre haverá alguém para ajudar. É ainda muito pior quando gente assim tem filhos, pois a gente acaba sentindo-se um pouco culpado, já que obviamente não é culpa da criança. Mas infelizmente todo mundo tem seus problemas e não é possível ajudar todo mundo.

Eu confesso que algumas vezes, passa em minha cabeça querer ser um pouco assim, digamos, “aventureiro”; ou eventualmente querer fazer só as coisas que me dão na cabeça. É aquele espírito impetuoso e livre do adolescente; mas a realidade é que se algo der errado, eu estarei sozinho.

Grifo meu. Este sentimento de “se der errado, estou sozinho” é bem mais forte quando a gente tem filhos. Eu morro de medo de um dia não poder dar algo que minha filha precise.

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6 respostas a A responsabilidade de ser adulto

  1. Olá,

    Concordo contigo. Eu sempre fui mto responsável, mas devido a minha criação nunca tive medo de nada.

    Mas hoje, não tenho necessariamente medo, mas preocupação com as decisões que eu tomo para que o risco seja o menor possível.

    Realmente, quando temos filhos, os passos normalmente são bem mais controlados.

  2. Acho que nós pais sentimos muito mais (além do necessário) em relação aos filhos. Eles se adaptam melhor do que a gente.

    Eu na verdade me preocupo em tentar conduzir o meu filho a ser uma boa pessoa e que seja feliz. Se isto estiver certo, no resto ele irá se virar quando crescer. Mas para nós serão sempre filhos, pequenos e que precisam da gente… como nosso pais também acham…

    E viva a mãe natureza! :-)

  3. As pessoas costumam a pensar (erroneamente) que suas ações sempre geram resultados definitivos. Que aquilo que a gente escolheu e fez nunca poderá ser desfeito ou corrigido no futuro.

    Lembro que num determinado momento da minha vida eu tive que tomar uma das decisões mais difíceis sobre o futuro: continuar estudando ou ir trabalhar. Eu podia escolher porque morava com minha mãe e nunca tive que ajuda-la com dinheiro. Era uma decisão só minha com conseqüências que só afetariam a mim e tinha que ser tomada num momento da minha vida onde tudo o que eu não tinha era maturidade para tomá-la.

    Escolhi o caminho do trabalho e até hoje não me graduei. Em certos momentos eu achei que essa decisão foi horrível e tive que compensar o fato de não ser formado de outras maneiras (estudando muito ‘por conta’) e hoje estou por aí.

    Quem me conhece sabe que troco muito de emprego e me perguntam se eu não tenho medo de fazer coisas erradas, principalmente depois que me tornei pai. Eu digo que não tenho medo porque sei que sou competente o bastante e não tenho medo de trabalhar. Sei que com essas duas “qualidades” eu jamais deixaria faltar algo para minha família.

    É claro que em determinados momentos da vida você tem que “recuar” (ex. arriscar deixar um emprego bacana que paga bem para fazer algo ainda melhor e as coisas darem errado e você ter que aceitar um emprego “mais ou menos” que paga mal).

    É da cultura do brasileiro considerar esse tipo de risco e “recuo” um tipo de burrice e, na verdade, o que se vê ali é uma pessoa que resolveu arriscar mais porque sabia que riscos maiores podem trazer retornos maiores também.

    Esse tipo de situação enriquece muito mais as nossas vidas e o nosso aprendizado. Permite que a gente aprenda a se adaptar melhor à adversidade e Darwin já nos mostrou como é bom ser adaptável.

    O medo da mudança “dar errado” paralisa as pessoas. Quando a gente tem filhos esse medo aumenta. Mas não devemos nos esquecer que as mudanças podem vir “de fora” e se não conseguimos nos adaptar rapidamente poderemos ser “extintos”.

    Pra ilustrar: trabalhei numa empresa muito legal cheia de pessoas inteligentes. Certo dia essa empresa começou a demitir muitos funcionários… eram listas e listas de pessoas que amanheciam desempregadas. O terror se instaurou nessa empresa.

    Eu que já tinha “pulado” de emprego uma dezena de vezes na vida e havia arriscado uma mudança de cidade (deixando de morar com minha mãe) estava tranquilo. Sabia que não passaria dificuldades.

    Quando chegou a minha vez de ser demitido eu já trabalhava em outro lugar enquanto os amigos que tinham dificuldade de se adaptar e medo de errar estavam paralizados.

  4. Rudá Moura disse:

    Osvaldo, eu gostei muito da tua opinião, desse outro ponto de vista. Eu até diria que o que está escrito, devidamente modificando de alguns contextos pra mim, poderia ser incluído em um outro post meu, com o título óbvio de “Falhar é sempre uma opção”. Ou relacionado e como um amigo meu aqui do trabalho costuma dizer: o não é sempre garantido. Bom, não tenho nada a acrescentar ao assunto, só queria deixar esse comentário.

  5. Leonardo Boiko disse:

    Eu passei parte da minha infância criado por minha avó, costureira, e com necessidade financeira real. Depois ganhei um padrasto que me deu uma vida comparativamente confortável com casa de tijolo, fusca, brinquedos, roupa nova—e que chegava em casa todo dia estressado do trabalho, agressivo, dando patada em todo mundo, e que nunca participou da minha vida pra nada.

    Eu sei qual das duas vidas foi pior. Dinheiro não é importante. Nós voltamos a ficar sem dinheiro depois do divórcio, e a nossa qualidade de vida aumentou muito. Desde que você consiga satisfazer as necessidades biológicas—comida, abrigo, remédios—todo o resto é supérfluo. E todo o resto é MUITO mais supérfluo do que o exemplo de vida que você dá pros seus filhos.

    Uma vez eu me deixei convencer pela pressão social que diz que ser “pai responsável” significa se matar por dinheiro a qualquer custo. Fui trabalhar em empresa (o que odeio) e isso acabou comigo, o que me tornou um péssimo marido e um péssimo pai. Como você acha que seus filhos vão ter uma boa vida se você mesmo for um wage slave irritadiço e sem energia? A sua presença na vida deles é avassaladora. Cada mínima explosão de autoritarismo conta. Cada horinha que você ouve eles com atenção conta. E essas coisas contam dez mil, cem mil vezes mais que qualquer brinquedo ou passeio em shopping.

    (Em tempo, eu não tenho nenhuma “rede de apoio”, vivo uma vida que o médio-classista típico não hesitaria em chamar de “aventureira”, já fiquei sem emprego, o escambau, e nunca deixei faltar comida, abrigo, remédio ou roupa pra ninguém. O dinheiro necessário é muito menos do que vocês parecem pensar. Muita gente cria família de cinco, seis com salário mínimo, afinal; eu mesmo fui criado com salário mínimo, junto com minha irmã.)

  6. robteix disse:

    Interessante como minha última frase no texto parece tê-lo modificado completamente. Minha intenção era falar de gente que não cresce e fica dependendo dos outros.

    No fim acabou sendo sobre meus medos.

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