Roberto Teixeira falando o que pensa

A quem interessa a regulamentação?

Um novo projeto de lei, aprovado pelo Senado Federal, determina que para manter um blog, o autor deverá ser formado em Jornalismo. Com isto, o governo pretende assegurar a qualidade dos textos.

Se você acha a idéia deste projeto de lei idiota, fique calmo. Até onde eu sei, não existe tal projeto (embora eu não ficasse surpreso). Existe, porém, um projeto bastante similar em espírito: o PL Nº 607/07. Este projeto, já endossado pela futura presidente, regulamenta a profissão de Analista de Sistemas e correlatas. Em outras palavras, trata-se da regulamentação das profissões de informática.

O projeto determina que apenas poderão exercer as funções das profissões de informática aqueles que possuirem “diploma de nível superior em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados, expedido por escolas oficiais ou reconhecidas”.

É verdade que o projeto possui uma determinação padrão para que profissionais não-formados, mas com experiência, possam continuar a exercer suas profissões quando a lei entrar em vigor. Mas esta provisão é normal e serve para diminuir a oposição à aprovação do projeto e é apenas temporária, valendo apenas para o momento em que a lei entrar em vigor. Depois disso, o que vale é a regra do diploma.

Determina também a criação de um Conselho Nacional de Informática e os vários conselhos regionais, além, é claro, das contribuições financeiras que serão devidas pelos profissionais.

Pessoalmente, considero este projeto um absurdo.

Antes que alguns possam pensar que falo em interesse próprio, que fique claro que (1) sou formado e (2) se não fosse, teria experiência suficiente para me encaixar na provisão do parágrafo III do Artigo 2º. Não se trata de mim. Ou ao menos não diretamente.

Quais os efeitos reais de tal regulamentação?

1. Reserva de mercado

Os defensores do projeto argumentam que a lei é necessária para assegurar uma melhor qualidade de serviços.

Em uma primeira observação, o argumento é válido. É verdade que, na média, profissionais formados tendem a ser melhores que os não-formados. Mas lembre-se que o diabo está nos detalhes: eu disse (e enfatisei) na média.

O que isto quer dizer é que embora na média realmente haja uma diferença, em um nível mais pessoal, a coisa fica um pouco complicada: o pior profissional formado não deve ser significativamente diferente do pior profissional não-formado. O mesmo deve ocorrem entre os melhores profissionais formados e não-formados.

Em outras palavras, há muito profissional muito bom que não se formou em Ciência da Computação e afins. O projeto os tira do mercado.

Em tempo, um dos melhores professores que eu tive na faculdade era formado em Física. Na empresa onde trabalho, há um número bastante significativo de programadores doutores em Matemática. Sem falar no pessoal da Engenharia Elétrica, grupo também muito bom.

A reserva de mercado bloquearia este tipo de profissional.

E para não perder a oportunidade de usar um cliché, como ficariam Bill Gates e Steve Jobs se tivessem o desgosto de nascer no Brasil? Provavelmente teriam de dedicar-se ao corte e costura.

2. Privilégios

Ah, mas a qualidade melhoraria, certo? Pensemos bem. Com a diminuição do pool total, profissionais menos bons repentinamente têm mais lugar no mercado. Suas qualificações? Terem pago quatro anos de alguma Unifoo qualquer.

Quando entrei na faculdade, em meados dos anos 90, eu confesso que era totalmente a favor da regulamentação da informática. Lembro-me bem das discussões com os colegas e o argumento que todos repetíamos: “Imagine só fazer quatro anos de faculdade e depois ter de concorrer com o guri da esquina que estudou Clipper em casa!”

Que absurdo!

Cresci. Hoje eu entendo que se o “guri da esquina” conseguir competir comigo, o problema sou eu, não ele. Se após passar quatro anos na faculdade eu ainda não souber mais que Clipper (ou Java, ou C#, ou seja lá qual o equivalente de hoje), então eu joguei fora aqueles quatro anos.

Sim, é verdade que uma parcela muito grande de alunos das universidades brasileiras jogam fora esses anos, fazendo apenas o mínimo possível para ser aprovado em cada matéria e sem ir muito além disso. Mas não é culpa de ninguém mais que deles mesmos.

Se você precisa que o governo crie um privilégio artificial para que você possa competir no mercado, então você não merece o privilégio. Sorte sua que o Estado é avesso à meritocracia.

3. Perda do dinamismo

Embora Gates e Jobs sejam exemplos extremos, há inúmeras pessoas que, munidas de espírito empreendedor, deixaram a faculdade para seguir uma idéia. Isto é uma coisa bastante peculiar da informática, provavelmente por ser uma área tão nova. Afinal, frente a campos como o da medicina, física, química, etc, que são milenares, a informática é recém nascida. É uma área extremamente dinâmica.

Para usar um termo popular atualmente, a informática é, provavelmente, um dos campos profissionais mais “democráticos” que existem. Você só precisa de uma idéia.

O talento vale muito mais que um pedaço de papel carimbado pelo MEC. O projeto de lei tem por objetivo inverter isto.

4. Pagar pelo direitos de ser o que você é

Estamos falando de Brasil e, como não poderia deixar de ser, temos de oficializar o arrego. O projeto de lei cria os conselhos, que por sua vez poderão cobrar as “contribuições” devidas pelos profissionais. Em outras palavras, o profissional de informática terá de pagar pelo direito de exercer sua profissão.

No artigo que linkei para dizer que a Dilma endossou o projeto acima há uma informação interessante relacionada a este ponto. No final do artigo, fala-se da nova sede do sindicado “localizada em um edifício de 3.700 metros quadrados próximo ao centro da cidade de São Paulo”.

É por este tipo de extravagância que todos vão pagar.

Então para que regulamentar?

No fim, a questão é a quem realmente interessaria a regulamentação? A basicamente dois tipos de pessoas:

  • Àqueles que precisam de ajuda do governo para competir em seu mercado;
  • Aos que pretendem montar os Conselhos e enriquecer com o trabalho dos outros.

Criar uma reserva de trabalho é oficialização de privilégios e arregos. Nada mais. Espero que você goste da última coleção outono-inverno de Gates & Jobs.

29 Respostas para “A quem interessa a regulamentação?”

  1. Como se já não bastasse eu dar 1 dia do meu trabalho para um sindicato que nunca fez nada por mim, querem que eu sustente mais malandros em conselhos regionais.

  2. @thiago: 1 dia do trabalho, mais uma cartinha dizendo que você não quer pagar uma ‘taxa de assistência’. Ah, se perder a data ou for contratado depois do prazo vai ter que pagar a ‘taxinha’.

    Eu paguei por vários meses quando mudei de empresa.

    O que não falta é gente procurando teta p/ mamar. Quem quer ser competente no que faz, fazer o que é certo e ganhar o que merece é penalizado.

  3. Roberto Souza disse:

    Interessante que o artigo da IDG Now foi totalmente parcial, dizendo “regulamentação da profissão tem sido uma demanda do setor há mais de 30 anos”, mas sem falar que a SBC é totalmente contra a regulamentação.

    Quanto à Dilma, acredito que ela nem saiba direito o que é um computador. Infelizmente está difícil conseguir alguém em quem votar nas próximas eleições.

  4. O problema é que vivemos em um pais onde o poder sindical é surrealmente inflado e utilitarista.

    Em que lugar do mundo faz sentido um grupo fazer greve em oposição a um candidado a presidente? Aqui faz e acontece aos montes.

    Aqui o governo entrega uma montanha de dinheiro para os sindicatos por uma razão que me foge à razão.

    Quanto a regulamentação. Eu aceito políticos e sindicalistas serem favoráveis à ela – afinal, é um ótimo instrumento de controle social. Afinal, quem não vê o seguinte acontecendo: “Roberto, fizemos uma sindicância e verificamos que você violou o código de ética e cassamos sua carteira de programador – se fode ai”, somente por ter blogado que não gosta do candidato à prefeito que o conselho apoia.

    A coisa que me deixa de estômago virado é a enorme parcela de pessoas que são favoráveis, pela exatas razões que você citou no teu artigo. Isso tudo por não sermos uma sociedade capaz de nos organizar e auto-regular, precisamos de governo paternalista dizendo quem pode ou não.

    Finalmente, espero não te causar problemas pois não tenho registro oficial me autorizando ser comentarista de blog.

  5. spuk_o0 disse:

    “”"a SBC é totalmente contra a regulamentação”"” – errado, ela é contra a reserva de mercado: http://www.sbc.org.br/index.php?language=1&subject=107

    A quem não interessaria a regulamentação? A basicamente dois tipos de pessoas:

    * Àqueles profissionais acima da média, que só vêem na regulamentação o gasto extra que terão com a tal mensalidade
    * Aos que pretendem trabalhar com informática sem perder dinheiro/tempo com curso superior/técnico

    Fora dos circulos de elite profissional, o que regula o mercado atualmente é o mercado da “certificação”, cuja formação é pior, especializada para cada tecnologia, e encarece a profissão além de curso superior, que já é exigido por praticamente qualquer empresa que se preze.

    Só vejo gente reclamando da regulamentação resmungando sobre gasto extra, e idealismo. Os formados em matemática e engenharia ou física ou o que for, provavelmente continuarão trabalhando fazendo a mesma coisa, mas não como “analistas de sistemas”.

    Argumentos tipo “qualquer um consegue um diploma numa unifoo” serve também pró-regulamentação: se qualquer um consegue, especialmente quem quer ser profissional da área consegue.

    Tomara que a regulamentação diminua mesmo a competição de bons profissionais formados, com zé-ruelas que não tiveram gasto nenhum com formação e por isso trabalham por salário de trabalho infantil.

  6. Dedé disse:

    Pra mim não importa muito se a SBC é a favor ou contra regulamentação. O importante é que haja discussão e debate.

    O amigo Spuk disse muito bem. Hoje nós que tivemos de pagar uma fortuna para se formar temos que competir com zé-ruelas que tem uma vantagem competitiva: não tiveram custo para se qualificar.

    Eu acho que é óbvio que todos vão concordar que é injusto que alguém que nunca teve de estudar e fazer trabalhos em uma universidade tenha o direito de competir com quem se fudeu anos lá.

    E o outro lado que o Spuk falou também é verdade, né? os cara hoje vão lá e fazem uma certificação de Microsoft e acaba ficando melhor que alguém que se formou. É só ter dinheiro e pronto. Não tem como competir.

    Eu espero que a regulamentação saia sim e tire do mercado esse monte de gente pra que a gente que estudou possa ter nosso lugar.

  7. Spuk, algumas perguntas sobre seu comentário.

    Como exatamente a regulamentação afetaria o mercado de certificações? Se o mercado dá valor a uma certificação, ele vai continuar a fazê-lo. Vai apenas adicionar o requisito legal de ser formado.

    Sobre seu argumento “Unifoo”, eu não entendo. Se você mesmo admite que qualquer um pode obter um diploma, qual a utilidade da regulamentação? Aumentar o lucro das fábricas de diplomas?

    E o argumento final sobre competição de bons profissionais com “zé-ruelas”, acho que já falei o que penso. Se o zé-ruela consegue competir com você, a culpa é sua, não dele, não?

  8. Elvis disse:

    @Dedé, eu acho engraçado essa sua visão de que “eu paguei minha libra de carne copiando trabalhos do Google na faculdade, agora tenho de receber algo em troca”.

    É a mesma lógica do concurso público: o cara se mata para passar num concurso difícil, então quando passa espera ter emprego perpétuo sem ter de trabalhar.

    O brasileiro em geral tem essa “quid pro quo” do estudo: o que é que eu vou ganhar com isso?

    Agora, mais curioso ainda é alguém dizer: “gastei dinheiro pra me qualificar e agora tenho de concorrer com quem não gastou”. Ora, se você gastou dinheiro, deve saber fazer alguma coisa a mais que o outro cara. Se não sabe, então jogou dinheiro fora.

    Mas o que você quer não é se qualificar. Você quer é comprar um privilégio, um crachá.

  9. [...] alguns dias escrevi aqui sobre minha opinião em relação à quem interessaria a regulamentação das profissões de TI. Agora há pouco eu conversava com meu irmão via IM e ele fez um comentário sobre a idéia da [...]

  10. spuk_o0 disse:

    Sei lá como a regulamentação afetará o mercado de certificações, se é que afetará. Mas a “auto-regulação” já existe, é essa, e é nojenta, cara, e valoriza os produtos ao invés dos profissionais.

    “Qualquer um consegue um diploma” não é depreciativo, um diploma implica em estudar e se formar. Já existem tantas universidades e cursos de variado nível e custo, que não há grande empecilho, não se pode dizer que a necessidade de diploma iria inviabilizar a entrada no mercado de trabalho.

    O argumento sobre competição é idealista, ou ao menos desconsiderando custo.

    “Comprar um privilégio” deve fazer mais sentido para as profissões de saúde e engenharia, regulamentadas, que têm cursos mais caros e em menor oferta. Como disse, há cursos de computação em todo canto, e por vários preços. Quem quer trabalhar com algo sem ter formação/qualificação é que tem que se explicar. Até mesmo administração e economia são áreas regulamentadas…

    Reserva de mercado, no meu entender, deve se referir a impedir que profissionais de outras áreas exerçam profissão de informática, não a impedir que pessoas sem formação exerçam profissões que exigem qualificação. Esses, bons profissionais *com formação* em outras áreas, parecem ser as únicas “vítimas” reais da regulamentação, mas a maioria desses, por hora, deverá ser contemplada pela regra do tempo de trabalho.

    Achei essa FAQ da SBC onde todos esses argumentos, e outros, são expostos: http://homepages.dcc.ufmg.br/~bigonha/Sbc/plsbc-faq.html

  11. Spuk, legal sua resposta. Mas eu fiquei em dúvida agora, pois acho que não o estou entendendo corretamente. Digo isto porque o FAQ do Professor Roberto Bigonha que você apontou parece concordar comigo e discordar de você. Por exemplo, logo na primeira resposta, ele diz:

    (…) a SBC consolidou sua posição institucional em relação a esta questão pela formulação dos seguintes princípios, que, no interesse da Sociedade Brasileira, deveriam ser observados em uma eventual regulamentação da profissão: (1) exercício da profissão de Informática deve ser livre e independer de diploma ou comprovação de educação formal; (2) nenhum conselho de profissão pode criar qualquer impedimento ou restrição ao princípio acima; (…)

    Ainda no mesmo parágrafo, mais adiante, o professor reforça o ponto:

    (…) a SBS posiciona-se CONTRA o estabelecimento de uma reserva de mercado de trabalho, geralmente instituída pela criação de conselho de profissão em moldes tradicionais, o qual, como já ocorre em muitas outras áreas, pode levar a uma indevida valorização da posse de um diploma em detrimento da posse do conhecimento, que é a habilitação que ele deveria prover. A SBC é a FAVOR de liberdade do exercício profissional, sendo o conhecimento técnico-científico e social, normalmente adquirido em curso superior de boa qualidade, o principal diferencial de competência profissional.

    Isto está, a meu ver, inteiramente de acordo com tudo o que eu disse no artigo. Para fechar, o Prof. Bigonha diz, no final da resposta 3:

    A decisão de colocar o profissional com competência e custo adequados em cada atividade é responsabilidade de quem contrata, independentemente de a profissão ser regulamentada ou não.

    Isto me parece totalmente sensato. Por que deveria o Estado determinar quem a empresa pode ou não contratar, já que é ela a responsável pelos custos do funcionário?

    Um dado importante é que o FAQ fala sobre o PL Nº 1561/03, que é um projeto mais antigo que aquele do qual estou falando, que foi endossado pela ex-ministra da Casa Civil Dilma Roussef e pelo Presidente Lula.

  12. Tiago disse:

    Creio que toda esta discussão sobre exigência ou não do diploma apenas serve para tirar o foco do objetivo principal do governo com a regulamentação, que é:
    Criar mais um órgão público para servir de cabide de empregos, onde apadrinhados políticos receberão salários milionários com dinheiro tirado (para não dizer roubado) de cada profissional de TI no Brasil. E este órgão, apesar de ter o nome de “Conselho Nacional de Informática”, não fará absolutamente nada para defender os interesses dos profissionais do setor, a não ser eventualmente perseguir/ameaçar alguém por motivos políticos e/ou partidários.

  13. mrbrocoli disse:

    “Hoje nós que tivemos de pagar uma fortuna para se formar temos que competir com zé-ruelas que tem uma vantagem competitiva: não tiveram custo para se qualificar.”

    É verdade. Deveria também ser criado um ranking nacional de faculdades, para que quem contrata possa facilmente desqualificar candidatos de faculdades mediocres em favor das melhores. Assim, uma pessoa que compr^Wpagou para se formar em uma universidade top nao tem que competir com um zé-ruela que pagou 10ao por um diploma numa UniMac.

  14. spuk_o0 disse:

    Roberto, a FAQ é “anti-regulamentação” mesmo (ou “pró-regulamentação-SBC”), passei a título de informação, basicamente todos os argumentos “anti-regulamentação” estão lá. A regulamentação pela proposta da SBC é meio foobar; talvez por fazer pouca diferença mesmo, não vingou…

    mrbrocoli: “não tiveram custo para não se qualificar” pode ser o correto. Também, vi zé-ruela se formar em “federal” e fodalhão se formar em “UniMac”. Inclusive, creio que um fodalhão pode preferir uma UniMac pra se formar mais cedo, com menos incômodo, etc..

    A propósito, considero pouco importante a opinião anti-regulamentação de qualquer um com formação em área já regulamentada, a menos que demonstre rebeldia anti-regulamentação, também, da sua área de formação. :]

  15. Carlos E. Silva disse:

    Só não entendo porque este projeto só enquadra três profissões, como Analista de Sistemas, Ciências da Computação e Processamento de Dados, sendo que há outras como Engenharia de Computação, no caso me graduei nesta área, me lasquei 5 anos ralando, mas não sou a favor de regulamentar também não, esses caras que não cursaram uma Universidade não são os meus concorrentes nem de longe, são quebras galhos necessários, eu mesmo passo serviços que não quero fazer para estes tipos, pego o filé mignon que dá mais grana ou coloco estes para trabalhar para mim ganhar mais dinheiro, mas criar mais conselhos e sindicatos é foda, estes caras vão ficar a vida inteira nos cargos só esperando o dinheiro por força de lei entrar, brigar por nós? rsss, uma piada.

  16. Alexandre disse:

    Sou desenvolvedor há mais de 10 anos e até o momento não tenho nível superior, mas estou a caminho (devo me formar antes da lei começar a vigorar). Mesmo assim sou contra essa regulamentação e não concordo com os que dizem que quem não tem nível superior não “ralou”. Estou fazendo a faculdade agora mas “ralo” há pelo menos 12 anos trabalhando na área e estudando sozinho (sempre fui autodidata). Posso não ter ainda o diploma, mas tenho muito mais experiência do que qualquer recém-formando. Posso até falar por experiência própria, pois apesar de estar concluindo esta faculdade agora, já cursei outras antes e sei que existem muitas coisas que faculdade nenhuma ensina, só a experiência. E são justamente essas coisas que as empresas querem. É por esse mesmo motivo que médico recém formado não pode exercer a profissão, precisa passar pela residência antes. Nesses 12 anos de desenvolvedor/analista, já trabalhei em diversos setores (adm. pública, saúde, eduação, rec. humanos, mercado financeiro) e em diversas funções (desenvolvedor, analista, coordenador de projetos). Isto me dá uma bagagem que me torna “altamente empregável” sem precisar do diploma. Se eu fosse empresário, iria preferir alguém com o meu currículo (e não, não iria pagar salário de estagiário) do que um recém-formado. O que eu não concordo é que o governo me diga qual dos dois eu devo contratar pra trabalhar na minha empresa e que o pobre coitado ainda tenha que pagar pra sustentar um monte de gente que ele não conhece e que nunca fez e nunca fará nada por ele.

  17. Alexandre, você disse bem. O Estado não deveria me dizer quem eu devo contratar. Ponto.

    Mas eu gostaria de aproveitar para falar de algo que não é específico de seu comentário. Me parece que é bastante comum a posição de que o Conselho não fará nada para proteger os profissionais e eu gostaria de comentar algo sobre isso.

    Antes de mais nada, eu quero dizer que concordo. Mas queria clarificar algo que, acho, escapa ao entendimento de muita gente. O objetivo de um Conselho Regional e Nacional não é ajudar os profissionais. Para isto já servem os sindicados. Pelo contrário, a função dos Conselhos é proteger a população.

    Os Conselhos servem para coisas como expedir documentação que comprove que Fulano é membro, por exemplo.

    Eu me pergunto quanta gente que é a favor da regulamentação sabe disso.

  18. Alexandre disse:

    Roberto,

    Tem razão na sua colocação sobre os conselhos. Obrigado pelo esclarecimento.

  19. Alexandre disse:

    Roberto,

    Considerando a função do conselho como você explicou eu pergunto: a sociedade precisa dessa proteção?
    Vejo importância nos casos de medicina, engenharia pois são profissões lidam com questões de vida ou morte.

  20. spuk_o0 disse:

    Carlos E. Silva: engenheiro -> CREA, reclame com eles; basicamente você já tem seu conselho, e aproveita o trabalho barato de quem não tem.

    Alexandre: de tudo que você disse, só a sua opinião, no fim, é desfavorável à regulamentação… veja bem, além de toda sua experiência, você ainda julga necessário buscar a formação, então qual o problema de exigí-la de todos os profissionais? Note que, enquanto estuda, o indivíduo já pode trabalhar na área legalmente, mesmo com a regulamentação.

    Esse argumento “área X precisa de regulamentação pois lida com a vida/morte”, é tolo. Muitas áreas de conhecimento podem ter aplicações que lidem com risco de vida. Advocacia não lida sempre com a vida, assim como engenharia, etc., enquanto que existe software que pode implicar em risco de vida (vide Toyota, para exemplo recente). Até mesmo mecânicos e borracheiros (profissões não regulamentadas) tem responsabilidades que podem implicar em risco de vida para terceiros.

  21. spuk_o0 disse:

    BTW, eu volto a ser anti-regulamentação das profissões de informática, quando extingüirem, ao menos, o CREA. ;]

  22. Spuk, mas isto não é o mesmo que dizer que para consertar um erro, basta errar mais?

  23. spuk_o0 disse:

    Vai longe até “consertarem” isso, até lá, tenhamos igualdade de condições. :]

    BTW, outros conselhos já tentaram “abocanhar” as profisões de informática (, ), então regulamentando num conselho próprio, evitamos casos futuros. :]

  24. O que eu tenho a dizer é o seguinte. Tenho curso profissionalizante (2° grau) em Processamento de Dados. E há 17 anos trabalho no ramo, sendo que nos últimos 5 anos tenho uma empresa.

    Posso não ter feito faculdade (embora tenha vontade mas na minha região não tem) mas garanto que o tempo que não passei ralando dentro de uma sala de aula, eu passei ralando baixando apostilas na INTERNET, estudando, pesquisando.

    E tem mais, sou eleitor do Lula, mas nesse caso vou pegar pesado: Se um semi-analfabeto pode ser Presidente do Brasil porque que quem tem conhecimento PRÁTICO não pode exercer uma profissão ???

    E tem mais, se por eu não ter feito faculdade, eu sou classificado com “Zé Roela”, eu pre

  25. Shark disse:

    Sou totalmente a favor e contra,
    contra as taxas que vou ter que para para o governo em relação a regulamentação da minha profissão.
    a favor porque só assim para ser mais justo com a categoria. antes jornalismo era uma categoria mais sempre desmerecendo todas as outras na qual formalizava o seu trabalho como: foto imagem, comunicação digital, economia e entre outras profissões. sendo que boa parte dos profissionais era e são formado em determinadas aréas, e todo aquele trabalho feito era apenas “copiado” e publicado sem ao menos os diretos autorais do auto ou criado, sendo assim muito facil se torna um jornalista que divulga aquilo que ele não fez mais mesmo assim publica discaradamente feito por si proprio.
    Feito a regulamentação acabará com a concorrencia deslegal de mercado, pois se não houver regulamentação para as aréas de Direito, Medicina, Engenharia e entre outras aéras. seria muito injusto com uma pessoa que se forma em Administração e exerce sua profissão como Advocacia.

  26. Ronaldo Eberle disse:

    Olá Betinho estou procurando um ve.lçho amigo é você

    ronaldo.eberle@hotmail.com

  27. Bruno disse:

    O comentário do Alexandre é válido. Há excelente profissionais sêniores que não são formados, e esses já tem seu lugar garantido no mercado, independente de possuir curso superior ou não. O que o spuk diz também tem sentido: se o profissional formado em matemática (ou outra área, ou até mesmo sem formação) quer continuar trabalhando na área de TI, por que ele não faz um curso? Ninguém está falando que é proibido. Pelo contrário, é permitido! Só que é necessário atingir alguns requisitos. Assim como muitas outras coisas exigem requisitos.
    Acredito que um dos pontos que a regulamentação queira tentar proteger é o abuso em relação aos recém formados e ao abuso da profissão. Trabalhei durante muito tempo como freelancer, desenvolvendo aplicações para web. Quase sempre no momento no qual digo o preço do meu serviço eu ouço algo do tipo: “Nossa, mas tudo isso?! O irmão do vizinho do cunhado do amigo da minha prima de 15 anos faz por R$ 300,00.”.
    Esse caso acabou gerando uma prostituição da profissão. Todo mundo que quer entrar na área de TI, seja formado ou não, para ser competitivo, acaba jogando o preço do seu serviço lá em baixo. E pra quem fez ou faz curso superior e tem que pagar uma mensalidade que não é barata em muitos lugares, isso é ruim. Principalmente para o jovem profissional, pois este necessita de muito mais investimento (tempo e dinheiro) para se qualificar e ser competitivo no mercado. E isso afeta o mercado como um todo. Como? O bom profissional, e também a empresa séria não irão abaixar o preço de seu serviços pois estes possuem qualidade garantida. Então o cliente achando o valor muito caro vai procurar o “guri de 15 anos” para fazer o sistema que ele deseja. O “guri” ainda sem experiência vai dar uma tremenda dor de cabeça para o cliente, e provavalmetne vai entregar um produto mal feito.
    E nesta situação quem protegeu o cliente? Com quem ele pode reclamar? Existem algum orgão para sua defesa?
    Essa experiência irá causar uma má impressão na área, dando a impressão de que os profissionais não são qualificados.
    Eu não sou a favor da regulamentação, mas neste exemplo acima, acredito que seria uma boa proteção, pois geraria uma competitividade saudável no mercado. Pois quem for prestar o serviço ter muita coisa a pesar antes de cobrar o preço de banana: tem os custos fiscais, custo da informação, custos de atualização e muitos outros.

    Pra finalizar: eu não vejo “guri de 15 anos” operando pessoas doentes por aí, construindo edificios ou tentando defender criminosos no tribunal.

  28. Bruno disse:

    Pra complementar o assunto: conversando com um colega de trabalho, ele me disse que na Austrália existe algo do tipo “validação profissional”. Quem quer trabalhar na área de TI tem que fazer uma espécie de prova, este sendo aprovado, está apto a trabalhar na área. E pelo que eu entendi na conversa, não é necessário curso superior.

    Achei isso bastante interessante.

    Irei pesquisar melhor sobre o assunto e volto a postar algo por aqui.

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