Há muito tempo eu deixei de usar Linux como desktop. Simplesmente cansou. Recentemente, porém, decidi aproveitar o lançamento do Ubuntu 9.10 para ver como o desktop Linux evoluira na última meia década.
Em primeiro lugar, deixe-me registrar minha opinião de que o desktop Linux evoluiu muito, muito mesmo. Visualmente ele está bastante bonito, exceto pelo fato de que ainda considero a combinação de marrom com laranja de extremo mal gosto. Obviamente é apenas questão de gosto. E claro que isso muda de distro para distro, de ambiente para ambiente, mas o Ubuntu é hoje um padrão de facto e portanto vou ignorar isso. O desktop está muito mais bem acabado que no passado.
O meu interesse por testar o Ubuntu se deve a uma série de artigos afirmando que o Ubuntu estaria pronto para o usuário final, o que me deixou curioso. Resolvi então testar o Ubuntu como usuário, ou seja, fazendo coisas que faço normalmente em outros sistemas operacionais.
Instalei o Ubuntu em um Lenovo T61 e como estava dentro do ambiente da empresa, precisava configurar o proxy. Nesse momento lembrei que o Linux sempre apanhou um pouco disso em relação à integração. Você precisava configurar o proxy em uma série de lugares diferentes para ele funcionar com tudo. Achei que era um bom lugar para começar a testar a usabilidade.
Fui ao menu System » Preferences » Network Proxy para ajustar as configurações.
A tela é bastante familiar. Achei estranha a existência de um botão Apply System-Wide, já que foge um pouco do padrão do Ubuntu de gravar configurações automaticamente quando se fecha um diálogo. Mas tudo bem, assumi que era necessário e cliquei. Para minha surpresa, tive de digitar minhas senha duas vezes, o que me pareceu um tanto exagerado para algo tão inofensivo quanto configurar o proxy.
Após entrar com minha senha na segunda tela, fui agraciado com a janela abaixo.
Pressionei Authenticate repetidas vezes sem sucesso. Mais desesperador ainda, pressionar Cancel tampoco teve efeito algum. Cliquei em Details para ver se descobria algo relevante, mas ele só dizia “org.gnome.gconf.default.set-system”, o que significa nada para mim.
Solução? Fechei a janela e tentei de novo aplicar a configuração. Desta vez parei com o mesmo problema na primeira tela. Os detalhes diziam “com.ubuntu.systemservice.setproxy”. Bastante útil.
Fechei todas as janelas desta vez e tentei de novo e desta vez funcionou. Vai saber.
Abri o Firefox e tentei navegar na web. Funcionou de primeira. Ótimo! Parecia que finalmente alguém tinha conseguido resolver um dos grandes problemas da Ciência da Computação: configurar um proxy no Linux. Ok, estou sendo cínico. Especialmente considerando que funcionou de primeira. Certo?
Fui rodar a atualização de sistema. Havia uma mensagem dizendo que as informações de pacotes estavam desatualizadas e então cliquei em Check para atualizá-las.![]()
O Update Manager começou a baixar arquivos e continuou a tentar baixar arquivos e continuou… depois de esperar um pouco, concluí que ele não estava baixando nada.
Obviamente que não demorou para que eu concluísse que não, a configuração “system-wide” de proxy não se aplicava ao Update Manager.
Na verdade, tirando um pouco o chapéu de usuário e colocando o de (ex-)linuxeiro, eu posso imaginar que o que acontece é que o Update Manager está na realidade chamando o Apt por trás e este vai depender da configuração feita em um arquivo de configuração que só é lido na inicialização. Alguém me disse que eu deveria reiniciar o computador, mas:
- Ter de reiniciar o computador para mudar a configuração de proxy parece coisa que o pessoal do Linux reclamava do Windows no século passado; e
- Não há nenhuma indicação em lugar algum me dizendo para reiniciar qualquer coisa.
Mas eventualmente o usuário vai resolver tentar reiniciar, então foi o que eu fiz. Agora vai funcionar, certo?
Errado. Mesmo problema.
Voltando ao chapéu alternativo, abri um terminar e fui dar uma olhada no /etc/environment, que é onde eu imaginaria que o sistema teria configurado a variável http_proxy e relacionadas. Mas não havia nada lá.
Ok, sendo honesto, eu já esperava que não houvesse nenhuma configuração lá. O problema é que grande parte das aplicações depende de uma variável de ambiente (http_proxy) que simplesmente não é suficiente para ambientes complexos. Normalmente, você pode configurar o proxy com algo assim:
1 | export http_proxy=”http://meuproxy:666” |
Mas em ambientes com múltiplos servidores proxy, você estará sem sorte. Para ambientes assim, a Netscape criou um sistema de autoconfiguração de proxies para o Netscape Navigator 2.0. Um arquivo de autoconfiguração é simplesmente um arquivo em JavaScript com regras sobre qual proxy usa em qual situação.
Em suma, a autoconfiguração de proxies é um problema resolvido há mais de uma década para o resto do mundo. Infelizmente o Linux ainda não conseguiu chegar lá. É decepcionante.
Mas vamos em frente. Agora que eu abandonei a autoconfiguração de proxy por uma configuração manual, imagino que o resto deva ser mais suave.
Abri o browser, naveguei um pouco e resolvi instalar o Tweetdeck, que é meu cliente de Twitter favorito e que fica 100% do tempo aberto em qualquer computador que eu use.
Visitei a página e de cara vi que ainda tinha trabalho pela frente. Mas tudo bem, era esperado. Eu tinha de instalar o Flash.
Cliquei no link e fui enviado à página da Adobe, escolhi a opção de download “.deb for Ubuntu 8.04+” e mandei baixar e executar a ação padrão do Firefox (abrir com um tal de Gdebi).
Mandei instalar o pacote e aqui, na vida real, a instalação falhou. Falhou por causa do proxy. Como para este post eu coloquei um proxy manualmente, a instalação foi direta.
Ao final da instalação, fechei o tal Gdebi e nada mais aconteceu. Assumi que estava tudo pronto e voltei à página do Tweetdeck, apenas para descobrir que o Flash não estava funcionando. Assumi que teria de reiniciar o navegador, coisa que em nenhum lugar me foi indicado. Tudo bem, vamos lá.
Hooray! Agora funcionou! Daqui para a frente é só alegria!
Cliquei no botão para fazer o download e a telinha de instalação do Adobe AIR abriu com a mensagem “Connecting…” Agora não tem erro!
Alegria de pobre dura pouco…
Imediatamente pensei no proxy, mas verifiquei no Firefox e a configuração estava corretamente dizendo para usar o padrão do sistema. Aw crap! Decidi dar uma de usuário de novo: reiniciei o sistema. Nada.
Abri a configuração do Firefox e mudei o proxy na mão, ao invés de usar a mítica configuração do sistema. Et voilà!
Neste ponto eu resolvi que já havia visto o que precisava. Vou continuar a usar Linux como servidor, mas no desktop? Daqui a cinco anos eu volto para ver se o desktop Linux já chegou em 1996.
Pode ter certeza que isso será resolvido futuramente com um ProxyKit, que vai fazer parte da mesma família do PolicyKit, DeviceKit, ConsoleKit, e mais tantos outros Kits.
Amigo, voce nao precisava ter escrito tanta besteira em um lugar soh !!
Logo se ve que voce nao conhece de GNU/Linux porque se conhecesse nao ia falar essas bobagens. Dah pra usar proxy no GNU/Linux sim senhor !! Eh soh aprender a ler direito.
Eu vou ajudar
- http://www.squid-cache.org
- https://www.banu.com/tinyproxy/
Le um pouco antes de escrever essas coisas !
E o senhor tambem falou merda sobre o Ubuntu ser padrao de fato. Onde ta escrito isso? Em que especificacao ou padrao esta definido que o Ubuntu vai ser padrao ?? O senhor inventou isso e tirou do rabo
Para sua informacao, existem diversas distribuicoes de GNU/Linux disponiveis: Debian GNU/Linux, Mandriva, Slackware…
Mas se voce quer aprender um pouco um dia e parar de falar bobagens, eu sugiro que voce use aquela que eu uso em casa que eh o Gentoo GNU/Linux. Ela eh a melhor que existe para usuario em casa por varios motivos.
1. Como voce nao vai ficar dependendo de gestor de pacotes, voce se obriga a compilar e ai aprende muito
2. So instala aquilo que realmente precisa e ai a maquina nao fica cheia de coisa inutil
3. De gratis ganha um sistema super rapido porque tudo fica otimizadinho para a sua maquina
Mas eh soh uma sugestao. Voce que sabe o que vai fazer. Nao sei nem se voce ia ter capacidade de usar um Gentoo ou nao. Depende da sua forca de vontade!!
A quem quer que tenha escrito a paródia no comentário acima, ficou muito bom
@gwm, +1
Roberto, cara, tenho que concordar contigo. O Linux parou nos anos 70.
Olha o comentário do cara aí em cima. é o mesmo tipo de resposta que a gente escutava anos atrás
@gwm, +1
+1
Aliás, eu prefiro usar o Kubuntu, é a mesma merda mas pelo menos a cor é diferente.
Eu ainda uso Linux nos meus três desktops, assim como minha esposa. Mas não me engano, muito menos engano os outros (pelo menos não mais, hehe): o linux não está e provavelmente nunca estará “pronto” para o desktop.
O público alvo são usuários entusiastas do sistema (que se sujeitam a configurar e resolver problemas na mão — é o meu caso), ambientes com um sysadmin dedicado a essa tarefa ou bem restritos como estações pra navegação internet.
Já o comentário do Pablo Henrique é perfeito demais pra não ser uma paródia.
O pablo ali me lembrou disso: http://funroll-loops.info/
@gwm, +1
Coloquei Ubuntu nos computadores da minha mãe e da minha namorada. Concordo que o ambiente não está completamente maduro, mas só o fato de não ter que ficar reinstalando a todo momento por causa de vírus já valeu o tempo que perco dando uma de “helpdesk”, o que tem sido cada vez mais raro.
Foda foi quando minha mãe comprou um modem 3G que não era suportado out-of-the-box. Como não moro na mesma cidade, tive que pedir favor a um amigo para ir lá fazer o hack para o modem funcionar.
Ps.: O tal Pablo é o kra!!! Paródia, com certeza.
O Pablo Henrique não entendeu NADA mesmo, né? A configuração do sistema para passar por um proxy com autenticação, meu querido….Vi a este post Googlando justamente pra resolver este problema…
… e olha que eu já dei um unset nas variáveis de ambiente e comentei o /etc/envoironment, /etc/profile…
tudo isso depois do apply system wide!
O cara tá certo…
Eu uso e recomendo porque sou tiete mesmo…. mas levo muita bomba!